sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Anônimo


Continuo me repreendendo por reparar em seus olhos. Passei a evitá-los, com medo de que ele pudesse ler as palavras gravadas em minha alma e descomplicar a minha complicação característica. Mas apesar do olhar conservar a mesma intensidade e o mesmo tom de verde, ele já não é o mesmo. Não o conheço mais, talvez nem ele conheça a pessoa na qual se transformou. Eu, particularmente, gostava mais do bobo sincero de sorriso fácil do que esse estourado inconsequente que parece se irritar com tudo e com todos.
De qualquer forma, eu não devia me importar. Fiz isso por muito tempo e acabei falando com as paredes. Por fim, até elas se cansaram da minha ladainha, não moralista ou exemplar, simplesmente respingada de bom senso. Pra ele, que sempre teve idade suficiente pra cuidar do próprio umbigo, não parece incômodo dirigir um comentário ácido a torto e a direito. Pra mim, encarregada de observá-lo só por prazer, é especialmente desagradável vê-lo tão instável e hostil, sabendo que aqueles olhos já ostentaram o brilho que eu tanto amava; em dias melhores, havia ali algo de cúmplice, algo que já não tenho forças pra procurar.

3 comentários:

  1. De onde vc tira inspiração para postar? Amei (como sempre)seu post.

    Bjos no coração

    Nina

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  2. Lari, mágoas vem e vão... feridas cicatrizam...Não deixe nunca de olhar nos olhos, não por aquele que vc esta olhando, mas por vc mesmo. Não deixe de olhar nos olhos, para que nunca deixe de encontrar o brilho dos seus proprios olhos... Não deixe de buscar, agora não nos seus olhos, mas no seu mais profundo olhar interior, não deixe nunca de buscar forças, no seu mais profundo amor. Aquele que está lá bem dentro e junto do seu coração. Saiba que mto te entendo e TE AMO MUITO, bonitinha....

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